Admirador de Olímpio de Souza Andrade, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a livros que recebera.

Rio [de Janeiro], 31 [de] agosto [de] 1975

Meu caro, grande e modesto Olímpio de Souza Andrade,

Nem sei o que mais agradecer a você – se a dádiva das edições de Contrastes e confrontos[1] ou as palavras que a acompanharam. Restaria ain­da por agradecer esse serviço que você presta à memória de Euclides da Cunha, e que importa em dívida […]

Cronista de longa e constante carreira nos importantes periódicos do Rio de Janeiro, Rubem Braga, nesta carta, recusa a homenagem que lhe quer fazer o Jornal do Brasil por ocasião do seu aniversário de sessenta anos, em 12 de janeiro de 1973, e conta ao amigo o motivo de sua saída daquele jornal.

Vitória, 26 [de] dezembro [de] 1972

Otto,

Procurei durante cinco dias falar com você no Rio, sem conseguir. É que eu soubera, pela Maria Lúcia Rangel, que o Jornal do Brasil pretendia fazer uma página pelos meus sessenta anos, inclusive encomendando artigos a Joel [Silveira], Fernando [Sabino], Carlos [Drummond de Andrade] etc. Em Cachoeiro, eu soube que estavam lá no momento […]

A troca de cartas entre Vinicius de Moraes e Chico Buarque a respeito de Valsinha mostra como foi a parceria para essa canção que encantou o público. Gravada por Chico no elepê Construção, de 1971, recebeu, no mesmo ano, as interpretações de Ângela Maria, no elepê Ângela, e do grupo MPB-4 em De palavra… em palavra…

Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971

Chiquérrimo!

Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos que havia, adicionando duas ou três ideias que tive. Mandei-a em carta a você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio morava […]

Na histórica edição do III Festival Internacional da Canção, realizado em 29 de setembro de 1968, a canção favorita do público era Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. A vencedora, no entanto, foi Sabiá, que tem letra de Chico Buarque e música de Tom Jobim. Como Chico estava em Veneza, Tom recebeu sozinho a vaia no final da fase brasileira, e em seguida telegrafou ao parceiro reivindicando sua presença. Chico atendeu o pedido e recebeu, ao lado de Tom, a vaia na grande final da fase internacional.

Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1968

Venha urgente. Presença imprescindível. Temos que estar juntos. Preciso de você.

Tom Jobim

Nota: Telegrama que o Tom me mandou quando tomou (sozinho) a vaia do Sabiá

Achados. Organização de Caique Botkay. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002, p. 51.

De 1967 a 1969, Otto Lara Resende assumiu a função de adido cultural na Embaixada do Brasil em Portugal, onde recebeu esta carta do amigo Millôr Fernandes.

Rio [de Janeiro], 16 de dezembro de 1967

Otto, meu caro, a situação que você me descreve é calamitosa: eu sou popular em Portugal! Você vê que não tem jeito, não; a gente acaba tendo o castigo que merece. Eu, por exemplo, que me venho furtando à popularidade (não por virtude, mas por timidez que, pouco a pouco, vai-se tornando doentia), acabo de […]