Contemporâneo de Lygia Fagundes Telles e 21 anos mais velho que ela, Drummond pôde acompanhar a trajetória de uma das maiores contistas da literatura brasileira e tecer considerações sobre a obra da amiga. É o que faz nesta carta em que comenta os contos de O jardim selvagem, publicado no ano anterior.

Rio de Janeiro, 28 [de] janeiro [de] 1966

Lygia querida,

Sabe que ganhei de Natal uma gravata bacaníssima, cuja está no armário esperando para ser usada numa reunião à altura? E que me de­ram também um pratinho conimbrense muito do gracioso, para guardar pe­quenas coisas importantes do equipamento de um senhor supostamente ele­gante? E que além desses dois mimos me regalaram com um […]

Mutuamente magoados por um desentendimento que ameaçava a amizade de muitos anos, alimentada por meio de mais de trezentas cartas em que trataram sobretudo de literatura e história, Francisco Iglésias e Otto Lara Resende buscam esclarecer o episódio que desencadeara a questão na troca de missivas que se reproduz aqui. Esta é a resposta de Otto à carta de Iglésias escrita em 18 de fevereiro. Os dois superariam por completo o problema.

Bruxelas, 21 de fevereiro de 1958

Iglésias,

Recebi hoje de manhã a sua carta. Afinal, por que me zanguei tanto com você? Porque você veio a Paris e não se lembrou sequer de me avisar onde estava, em que dia chegava etc.[1] Senti-me frustrado e perdemos uma boa oportunidade para nos encontrarmos e batermos um papo. Admito que minha […]

Em resposta à carta que lhe escrevera Rodrigo Octavio Filho a respeito de dados sobre o Penumbrismo, Ribeiro Couto, que nessa época era embaixador do Brasil em Belgrado e a quem se atribuía a criação desse “jeito” de fazer versos, envia-lhe preciosas informações nesta carta. Rodrigo Octavio as utilizaria para escrever o excelente estudo sobre o assunto, incluído em seu Simbolismo e Penumbrismo, de 1970.

Belgrado, 10 de março de 1957

Querido Didi,

Sabes o que é Belgrado. Pelo menos pelos jornais. Um sem parar de acontecimentos, tomadas de posição, polêmicas (pró ou contra os comborços), suposições sensacionais, decepções, esperanças, e outra vez acontecimentos etc. etc. A montanha-russa (sem trocadilho) no mais mecânico sentido da roda que gira. Como tenho uma embaixada a meu cargo, e […]

O Penumbrismo foi o período que se interpôs entre o Simbolismo e o Modernismo, caracterizado por um jeito suave de fazer versos. Atribui-se ao poeta santista Ribeiro Couto a criação desse “jeito”, que não chegou a ser escola ou movimento literário, mas marcou a poesia do período. Nesta carta, Rodrigo Octavio Filho pede dados para escrever o excelente estudo que publicaria em Simbolismo e Penumbrismo.

Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 1957

Querido Rui,

Você é o amigo que desmente o ditado: longe dos olhos, longe do coração. Não calcula como falamos e nos ocupamos com você. Dentro e fora da Academia.

Acontece que, agora, eu é que preciso ocupar-me mais seriamente do poeta Ribeiro Couto, sua vida e obra.

Como você sabe a Instituição Lanagoitti, por […]

Amigos desde a juventude, em Belo Horizonte, Otto Lara Resende exerce, durante toda a vida, a amizade com Hélio Pellegrino dentro dos padrões que observa nesta carta. O diálogo entre eles foi diário até o fim; a compreensão, profunda, e o amor, testemunhado nesta carta.

Rio de Janeiro, 1º de junho de 1951

Meu caro Hélio,

Se eu não tivesse 29 anos, se não fosse quase um vetusto trintão, não teria resistido, neste momento, ao ímpeto de sentar-se à mesa para, com a minha velha caligrafia, compor um daqueles “exercícios” adolescentes que eu cria cifrados, mas que na verdade eram abertos, escancarados à confidência. A inspiração me veio […]