Em 18 de janeiro de 1921, Austregésilo de Athayde publicara no jornal carioca A Tribuna uma carta aberta a Lima Barreto, na qual, entre elogios, procurava estabelecer diferenças entre a obra dele e a de Machado de Assis. Esta é a resposta de Lima Barreto, escrita no dia seguinte e publicada vinte anos depois na Revista do Brasil.

Todos os Santos [Rio de Janeiro], 19 de janeiro de 1921

Meu caro senhor Austregésilo de Athayde,

Saudações.

Agradeço-lhe muito a bondade que teve, dirigindo-me a carta aberta que a Tribuna publicou, em 18 último.

Quisera, por miúdo, saber dos termos da excomunhão que mereci do padre-mestre Tadeu.

Não tenho nenhuma malquerença com os padres e mesmo com os frades de certas ordens. Se há algum […]

Em 18 de janeiro de 1921, Austregésilo de Athayde publicou no jornal carioca A Tribuna esta carta aberta a Lima Barreto, na qual estabelece diferenças entre o estilo deste escritor e o de Machado de Assis. A resposta de Lima Barreto, escrita no dia seguinte, seria publicada vinte anos depois na Revista do Brasil.

Mestre Lima Barreto,

Consinta que lhe mande, publicamente, esta carta de lou­vor ao seu último livro. Desacostumado a ver obra de mérito nos trabalhos literários que se têm publicado nesta década, faço exceção aos seus e aos de João do Rio, ambos muito diversos na maneira, mas os únicos que chamam a atenção dos estudiosos […]

Nesta carta a Joaquim Nabuco, o autor de Dom Casmurro comenta o livro do amigo, Pensées détachées et souvenirs (1906), que, escrito em francês, acabara de ser publicado em Paris. Seria publicado no Brasil com o titulo Pensamentos soltos: Camões e assuntos americanos em 1937

[Rio de Janeiro], 19 de agosto de 1906

Meu querido Nabuco,[1]

Quero agradecer-lhe a impressão que me deixaram estas suas páginas de pensamentos e recordações. Vão aparecer jus­tamente quando você cuida de tarefas práticas de ordem política. Um professor de Douai, referindo-se à influência relativa do pen­sador e do homem público, perguntava uma vez (assim o conta Dietrich) se haveria grande […]

Esta carta, escrita por Machado de Assis uma semana depois da morte de Eça de Queiroz, em 16 de agosto de 1900, não deixa dúvida quanto  à admiração que o romancista brasileiro nutria por um de seus pares mais próximos.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1900

Meu caro Henrique Chaves,

Que hei de eu dizer que valha esta ca­lamidade? Para os romancistas é como se perdêssemos o melhor da família, o mais esbelto e o mais válido. E tal família não se compõe só dos que entraram com ele na vida do espírito, mas também das relíquias da outra geração e, […]

Em 1893, Rui Barbosa travou intensa campanha contra o governo do então presidente marechal Floriano Peixoto nas páginas do Jornal do Brasil. Ao eclodir a Revolta da Armada, movimento desencadeado pela Marinha de Guerra do Rio de Janeiro contra o marechal, em setembro daquele ano, Rui Barbosa, considerado o mentor intelectual do levante, foi obrigado a refugiar-se na própria cidade do Rio, de onde escreve à mulher, antes de partir para o exílio em Buenos Aires.

[Rio de Janeiro], 7 de setembro [de 18]93

Minha Maria Augusta,

Estou experimentando pela primeira vez as “delícias” de ser preso, e preso inocente. Não obstante a fidalguia com que sou tratado, a boa camaradagem em que vivemos com o dono da casa, tipo de qualidades simpáticas e distintas, minha situação de espírito, pela ausência tua e de nossos filhinhos, é infinitamente dolorosa, […]