Cruz e Sousa fixou-se no Rio de Janeiro, onde as privações financeiras, as perdas familiares e as frustrações no meio editorial o enfraqueceram e o levaram à tuberculose e, anos depois, à morte. Sobre todas essas dificuldades ele escreve ao amigo Virgílio Várzea, com quem publicou, em parceria, seu livro de estreia, Tropos e fantasias, de 1885.

Corte [Rio de Janeiro], 8 de janeiro de 1889

Adorado Virgílio,

Estou em maré de enjoo físico e mentalmente fatigado. Fatigado de tudo: de ver e ouvir tanto burro, de escutar tanta sandice e bestialidade e de esperar sem fim por acessos na vida, que nunca chegam. Estou fatalmente condenado à vida de mi­séria e sordidez, passando-a numa indolência persa, bastante prejudicial à atividade […]

Em 1881, a educadora alemã Ina von Binzer veio para o Brasil contratada por uma família de fazendeiro e senhor de escravos do Estado do Rio de Janeiro. Depois, ela assumiu a educação dos filhos do doutor Martinico Prado, em São Paulo. As crianças tinham nomes romanos: Caio, Plínio, Lavínia, Cordélia e Clélia, inspiradores de Os meus romanos, romance epistolar que reúne as cartas escritas por Ina a uma amiga, na Alemanha.

São Francisco [Rio de Janeiro], 14 de agosto de 1881

Minha Grete do coração,

Neste país, os pretos representam o papel principal; acho que no fundo são mais senhores do que escravos dos brasileiros.

Todo trabalho é realizado pelos pretos, toda a riqueza é ad­quirida por mãos negras, porque o brasileiro não trabalha, e quando é pobre prefere viver como parasita em casa dos parentes […]

No dia em que a igreja católica festeja Nossa Senhora da Glória, Rui Barbosa, de volta da Europa, escreve à noiva, que deixara na Bahia.

Corte [Rio de Janeiro], 15 de agosto de 1876

Maria Augusta, minha sempre adorada noiva,

É hoje dia santo, o maior e o mais popular aqui, na corte. A população inteira, por assim dizer, aflui para a Glória, em cuja festa pobres e ricos apuram, ostentam, exageram todos os requintes do luxo numa capital como esta. Tudo é multidão e bulício, bailes e fogos, […]

Depois de mais de trinta anos de amizade com a condessa de Barral, o imperador dom Pedro II sofre as saudades da distância que os separa: ele no Rio de Janeiro, ela em Roma.

Rio de Janeiro, 7 de junho de 1880

Condessa,

Cheguei às oito e meia para nove horas da manhã.

Careço de tempo para copiar as notas de minha viagem que muito me agradou. O Paraná é uma bela província de grande futuro. O frio fortificou-me, chegou numa manhã em Curitiba a dois graus abaixo de zero. Não imagina quanto você me faltou durante […]

De volta ao Rio de Janeiro, depois de uma viagem à Europa, Rui Barbosa escreve à noiva sobre as saudades e a expectativa do casamento, que se realizaria no dia 23 desse mesmo mês de novembro.

Corte [Rio de Janeiro], 3 de novembro de 1876

Minha adorada noiva do coração,

Recebi as tuas duas últimas cartinhas, cuja data não menciono, porque escrevo-te do escritório, onde não as tenho presente.

Ambas me encantaram, mas especialmente a segunda, em que respondes às minhas cartas relativas ao nosso próximo casamento. As duas linhas que a propósito disso me diriges encerram em si tal […]