A forte amizade entre Clarice Lispector e o casal Mafalda e Erico Verissimo levou a escritora a convidá-los oficialmente para serem os padrinhos de seus filhos, Pedro e Paulo, três anos após o nascimento do segundo. Não é sem razão que Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, reconhece os Verissimo como avós e os melhores amigos de sua mãe..

Washington, 7 de setembro de 1956,
Sexta-feira, 10 horas a.m.

Prezados senhor e senhora Erico Verissimo,

Como é do conhecimento dos senhores, meu marido e eu, não tendo infelizmente religião (por enquanto), criamos nossos filhos na ideia de Deus, mas sem lhes dar rituais definitivos, e à espera de que eles próprios mais tarde se definam.

Tendo terminado com algum esforço frase tão comprida, venho […]

Amigos desde a juventude, em Belo Horizonte, Otto Lara Resende exerce, durante toda a vida, a amizade com Hélio Pellegrino dentro dos padrões que observa nesta carta. O diálogo entre eles foi diário até o fim; a compreensão, profunda, e o amor, testemunhado nesta carta.

Rio de Janeiro, 1º de junho de 1951

Meu caro Hélio,

Se eu não tivesse 29 anos, se não fosse quase um vetusto trintão, não teria resistido, neste momento, ao ímpeto de sentar-se à mesa para, com a minha velha caligrafia, compor um daqueles “exercícios” adolescentes que eu cria cifrados, mas que na verdade eram abertos, escancarados à confidência. A inspiração me veio […]

Diferentemente dos temas predominantemente literários de que se ocupou Monteiro Lobato na sua correspondência com o amigo Godofredo Rangel, nesta carta ele fala sobre a precariedade de sua saúde e de sua bem-humorada ideia da morte, que chegaria menos de duas semanas depois.

S.l., véspera de São João, [23 de junho de] 1948

Rangel,

Chegou afinal o dia de te escrever, e vai a lápis, porque a pena me sai mal. Ainda estou com uma perturbação na vista. Uma pertur­bação que se vai deslocando do meu campo visual, e que num mês deve estar desaparecida. Só então voltarei a ler correntemente. Tenho estado, todo este tempo, privado de […]

Assim como muitos de sua geração, Paulo Mendes Campos deixou seu estado natal, Minas Gerais, para se fixar no Rio de Janeiro. Em meados de 1945, sob o impacto da nova cidade, ele escreveu esta carta ao amigo que ficara em Belo Horizonte. Os dois, somados a Hélio Pellegrino e Fernando Sabino, comporiam o grupo que Otto batizou de “Os quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse”.

[Rio de Janeiro, agosto de 1945]

De onde venho, meu velho, para onde vou? Mas nenhum traço de comoção dramatiza minha voz. Estou calmo, lúcido, fumando. Nem careço rigorosamente de escrever uma carta: ninguém me chama, ninguém me espera, ninguém me denuncia. Iluminando melhor, não é o sentimento para que me sevicia, mas os sentimentos intransitivos, os inumeráveis sentimentos que recolho, […]

Em um encontro de Vinicius de Moraes, Otto Lara Resende e Fernando Sabino na casa do último, em outubro de 1944, o poeta carioca leu e criticou alguns textos de Otto, tomados como exemplo da alma contida, sufocada e bem-comportada dos mineiros. A análise de Vinicius convenceu os amigos da necessidade de mudança nesse panorama literário, o que o levou a escrever esta carta polêmica publicada em O Jornal, do Rio de Janeiro, no dia 5 de novembro de 1944.

Há uns dez pares de dias, ó escritores de Minas Gerais, uma conversa noturna que se iniciou num bar em Copacabana levou-me à casa de um jovem conterrâneo vosso, um prosador novo dessas terras altas, e, apraz-me dizer, um dos melhores e mais bem aquinhoados pela humanidade e pelo espírito. Com ele se achava outro […]