Foi com esta carta escrita depois da experiência da perda do pai, o médico Braz Pellegrino, que Hélio Pellegrino o homenageou. Tão lúcido quanto humano e afetuoso, o depoimento reflete a ternura do sentimento de filho na véspera da data de aniversário do pai, morto aos 63 anos, no dia 15 de dezembro de 1969.

S.l., [21 de agosto de 1970]

Pai,

Amanhã, dia 22 de agosto, é seu aniversário. E você está morto. Pela primeira vez você aniversaria, estando morto. Isto quer dizer: você, em verdade, não aniversaria, você está além do tempo, fora dele, imerso na eternidade. Você, que já morreu, isentou-se do tempo, não aniversaria mais, nem morre mais. Você está maduro, cumprido, […]

A grandeza humana e retidão de caráter do escritor Rodrigo Mello Franco de Andrade são tema desta carta que Alceu Amoroso Lima, ou Tristão de Athayde, como ficou conhecido, escreveu à filha Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo.

Petrópolis, 13 de maio de 1969

[…][1]

Muita gente e pouco espaço no enterro do Rodrigo. Tanto assim que nem vi que dom Marcos estava celebrando missa de corpo presente. Fiquei conversando com o Américo Lacombe,[2] o Xará[3] e outros. Havia em todos um sentimento profundo e também visível. Apesar das inevitáveis conversas, respirava-se um […]

Ainda sob efeito da emoção causada pela morte de um grande amigo, o contista Murilo Rubião, sob o impacto da perda, faz reflexões importantes nesta carta a Otto Lara Resende, retomando a contato epistolar após o período de luto.

Belo Horizonte, 25 de outubro de 1948

Querido Otto,

Nem sei mais o que escrevi na outra carta (a que segue com esta). Ficou em cima da mesa, enquanto acontecimentos per­turbadores me deslocavam da minha habitual solidão. Não foi o amor. Uma tristeza maior, causada pela morte de um grande amigo, momentaneamente, me fez esquecer os amigos vivos. Volto agora, com retemperada […]

Figura trágica da monarquia brasileira, Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança foi preparado para suceder ao avô, dom Pedro II. Bonito e culto, mas frágil emocionalmente, esse filho da princesa Leopoldina, que deveria tornar-se dom Pedro III, acompanhou de perto a morte do imperador do Brasil no exílio, em Paris. Seu testemunho pode ser lido nesta carta à tia, a duquesa Alexandrina de Saxe-Coburgo e Gotha. 

Paris, 29 de dezembro de 1891

Minha querida tia,

Devo pedir-lhe mil desculpas por meu atraso. Acredite, foi devido ao estado de tristeza e ao repouso no qual me encontro desde a catástrofe do dia 5 deste mês.

Faço questão também de agradecer-lhe de todo o coração essas novas demonstrações de afeto quase maternais.

Minha carta parecerá talvez insuficiente para exprimir […]

Amigo de Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino, com os quais, dentre outros, fundou a revista literária Edifício, o historiador mineiro Francisco Iglésias, chocado com a morte súbita de Hélio em 23 de março, escreve, no mesmo dia, a Otto Lara Resende, solidarizando-se com sua dor. A resposta viria dois dias depois, em bela carta do autor de O braço direito.

Belo Horizonte, 23 de março de [19]88

Caro Otto,

Recebi esta manhã – 7h30 horas – a notícia da morte de Hélio Pellegrino. Fiquei chocado, como não podia deixar de ser. Acho uma injustiça que uma pessoa de tanta vitalidade, de tanto amor a tudo – à comida, às paisagens, às mulheres, ao homem em geral, a Deus, às ideias políticas pelas […]