Após o assassinato brutal de George Floyd, no dia 25 de maio, em Minneapolis, nos Estados Unidos, protestos ao redor do mundo estabeleceram um ponto de inflexão nas lutas antirracistas. No Brasil, a tragédia de Floyd materializa-se em um sistema perverso: um pêndulo entre o racismo estrutural e o genocídio. Em carta simbólica a Carolina Maria de Jesus, cujo acervo está sob a guarda do Instituto Moreira Salles, a escritora Cidinha da Silva reflete sobre o cotidiano da mulher negra e comenta os recentes casos de racismo que ocorreram no país. 

São Paulo, 8 de julho de 2020.

Carolina, bom dia! Dia de sol nesse inverno de pandemia em São Paulo. Como você está? Espero que esteja em paz. Do lado de cá, temos feito a travessia no…

…1968, contra o conceito de estudantes “excedentes”, formulado durante o governo do general Costa e Silva. “Que estas páginas simbolizem uma passeata de protestos de rapazes e moças”, define Clarice….

No dia seguinte à morte de Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, assassinado nos porões do DOI-CODI, os estudantes rapidamente se organizaram para enviar esta carta aos jornalistas brasileiros. O movimento era uma necessária reação às violências e arbitrariedades da ditadura militar que, em 1975, atingia um nível agudo com sequestros, prisões e desaparecimentos. A convocatória parece ter surtido efeito: o Sindicato dos Jornalistas, junto com diversos movimentos estudantis, organizaram um ato ecumênico que reuniu 8.000 pessoas na Catedral da Sé em memória de Herzog.

[26 de outubro de 1976]

…alunos e funcionários de universidades considerados culpados de subversão ao regime militar. A norma, baixada por Artur da Costa e Silva, vigorou até 1979, quando foi revogada pela lei da…