Em 1893, Rui Barbosa travou intensa campanha contra o governo do então presidente marechal Floriano Peixoto nas páginas do Jornal do Brasil. Ao eclodir a Revolta da Armada, movimento desencadeado pela Marinha de Guerra do Rio de Janeiro contra o marechal, em setembro daquele ano, Rui Barbosa, considerado o mentor intelectual do levante, foi obrigado a refugiar-se na própria cidade do Rio, de onde escreve à mulher, antes de partir para o exílio em Buenos Aires.

[Rio de Janeiro], 7 de setembro [de 18]93

Minha Maria Augusta, Estou experimentando pela primeira vez as “delícias” de ser preso, e preso inocente. Não obstante a fidalguia com que sou tratado, a boa camaradagem em que vivemos…

Perseguido pelo então presidente marechal Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada, movimento de oposição ao governo desencadeado no Rio de Janeiro em setembro daquele ano, Rui Barbosa embarca clandestinamente no Madalena, navio que o levaria ao exílio em Buenos Aires. Com duas semanas de viagem, escreve esta carta à mulher, com quem estava casado havia sete anos.

Buenos Aires, bordo do Madalena, 19 de setembro [de 18]93

Minha adorada Maria Augusta, Decididamente, minha Cota, não se morre de dor, desde que eu não morri ainda. Mas morrerei, ou enlouquecerei, se isto continua, e eu não posso ir…

Capitão da artilharia francesa, Alfred Dreyfus foi réu no caso hoje considerado um dos maiores erros judiciários da História. Acusado de ser o autor de uma carta, remetida ao adido militar alemão em Paris, contendo informações sobre recursos e planos de defesa do exército francês, Dreyfus foi submetido a uma cerimônia de degradação no pátio da Escola Militar, no dia 5 de janeiro de 1895, em Paris, ocasião em que lhe quebraram a espada e lhe arrancaram as insígnias da honra militar. Dois dias depois, Rui Barbosa, que estava em Londres, protegendo-se das arbitrariedades do marechal Floriano, e era colaborador no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, escreveu esta carta, publicada nesse jornal em 3 de fevereiro, tornando-se assim o primeiro defensor do capitão Dreyfus. Em 1898, Émile Zola, convencido da inocência do réu, publicaria no jornal L’Aurore uma carta aberta que ficaria conhecida pelo título de “J’accuse” e em que considera o caso “o monumento mais execrável da infâmia humana”. Depois de batalha judiciária que durou doze anos, e de uma deportação cruel à ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus teve sua inocência provada e a honra reabilitada.

Londres, 7 de janeiro de 1895

Eis aí um fato de expressão quase trágica, sobre o qual se acaba de exercer distintamente a consciência dos dois povos que a Mancha separa: um, na maneira de resolvê-lo;…

Vinte dias depois de Mario Quintana ter completado sessenta anos, Paulo Mendes Campos o homenageou com esta carta, publicada na revista Manchete de 20 de agosto de 1966.

…familiares: o anjo da guarda, o menino Jesus, Frankenstein, Simbad, Jack, o Estripador, Lili, tia Élida, o major Pitaluga, o retrato do marechal Deodoro proclamando a República. Como fazer desses…

O aumento da repressão provocado pelo AI-5 em 1968 fez com que a correspondência do pensador Alceu Amoroso Lima com sua filha Maria Teresa, madre no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo, se tornasse cada vez mais indignada com a posição de amigos e da imprensa diante do regime militar instaurado em 1964. “Como você vê, não vejo nenhuma janela próxima por onde se possa respirar”, escreve nesta carta, no momento em que o país vivia sob a presidência de Arthur da Costa e Silva.

Petrópolis, 9 de fevereiro de 1969

…minado pela conspiração dirigida pelo chefe do Estado Maior das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, futuro presidente eleito […][1] pelo Congresso e que, por sua vez, preparou o terreno para…