1975

Há muitos e muitos anos não acontece, no Brasil, em termos de poesia, nada tão importante como este poema de Ferreira Gullar. Nas trevas em que foi atirada a cultura brasileira, este poema é como os instantes luminosos, que esplendem de raro em raro, e se fixam como as estrelas que morreram há séculos permanecem brilhando no céu. A carga poética, aqui, atinge, realmente, o excepcional e o único, conservando, com a sua beleza suprema, a força de comunicação que a coloca ao alcance de todos e que a torna patrimônio de um povo. O poder de evocar, que reconstitui e dá vida onírica à paisagem da infância e da adolescência, repassa todas as páginas e soa como longínqua, cálida e suave música – aquilo que só os grandes poetas sabem transmitir. Testemunho de uma época, este poema será lido, comovidamente, pelos nossos netos.


Acervo Ferreira Gullar/Instituto Moreira Salles